sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Luísa Rato – Bucelas




O café “brasileira”, em Lisboa, tem a escultura de Fernando Pessoa, obra de Lagoa Henriques, e tem este belíssimo azulejo que não deixa ninguém indiferente!

Este presépio faz-nos reflectir sobre a origem dos azulejos e em que séculos foram introduzidos em Portugal.
A palavra, azulejo, tem origem no árabe, azzelij, que significa “pequena pedra polida” e era usada para designar o mosaico bizantino do Próximo Oriente. Grande parte da produção de azulejos em Portugal caracteriza-se pelo emprego do tom azul!

 A arte da azulejaria na Península Ibérica têm influência dos árabes, que para as terras conquistadas, trouxeram os mosaicos para ornamentar as paredes dos seus palácios conferindo-lhes brilho e ostentação, através de um jogo geométrico complexo.

Os primeiros exemplares usados em Portugal, os Hispano mouriscos, vieram nos finais do século XV de Sevilha e serviram para revestir as paredes de palácios e igrejas. Dizem as crónicas que o rei de Portugal, D. Manuel I, ficou fascinando com a exuberância dos interiores mouriscos e com a sua proliferação cromática dos azulejos e ambicionou trazer para a sua residência habitual, o Palácio Nacional de Sintra.

Os descobrimentos contribuíram para um maior enriquecimento fruto da aculturação com outros povos, nomeadamente do oriente. Surgem novas composições cenográficas, temáticas figurativas e vegetalistas de uma flora e fauna exóticas.  

 São as classes dirigentes que cultivam primeiro o gosto pelo azulejo, escolhendo a temática mais apropriada à decoração dos edifícios; desde campanhas militares, episódios históricos, a cenas do quotidiano, religiosas, mitológicas e até algumas sátiras.

Depois do terramoto de 1755, a reconstrução de Lisboa vai impor outro ritmo na produção de azulejos em série, hoje designados pombalinos, usados para a decoração dos novos edifícios. 

Nos finais do século XVIII, o azulejo deixa de ser exclusivo da nobreza e do clero e a burguesia abastada faz as primeiras encomendas para as suas quintas e palácios, os painéis contam por vezes a história da família e até da sua ascensão social.

A partir do século XIX, o azulejo passa a ter uma estreita relação com a arquitectura. São criadas novas fábricas em Lisboa, Porto e Aveiro.

Mais tarde, já em pleno século XX, o azulejo entra nas estações de caminho-de-ferro e metro, alguns conjuntos são assinados por artistas consagrados. 

A tradição fez-se ainda mais popular, apresentando-se como solução decorativa para cozinhas e casas-de-banho, numa prova de resistência, inovação e renovação desta pequena peça de cerâmica.

Este presépio é uma bonita homenagem à azulejaria portuguesa, segundo conversa com a autora. O tom predominante é o azul, como não poderia deixar de ser! Falta apenas partilhar a foto convosco! 




Sem comentários:

Enviar um comentário