terça-feira, 7 de agosto de 2018

Janelas do Alentejo - Évora

“É o espaço aberto que parece não ter fim. São as cores e os cheiros que brotam da terra. É a inconfundível traça da arquitectura rural, presente nos "montes” das grandes herdades, no casario mais antigo das cidades, vilas e aldeias ou nas ermidas que pintam de branco o alto dos cabeços. É o que se lê nas formas de ser e de fazer, nas artes que se conservam e se renovam, na tradição que se mantém e se recria, no "cante” que, com alma e coração, só os alentejanos sabem cantar.”


As construções integraram-se na paisagem como se dela fizessem parte, utilizaram materiais e soluções adaptadas ao clima e à função e formaram conjuntos naturalmente equilibrados que, ainda hoje, são fonte de inspiração para as intervenções contemporâneas.

Passear pelo Alentejo é um encontro permanente com esta realidade e com os dois tipos de arquitectura que a exprimem: a erudita, por vezes de grande valia sob o ponto de vista do património monumental, e que é bem visível nos solares de grandes herdades e nas casas nobres dos centros urbanos; e a popular, que nos revela outras faces do património, de sabor genuinamente rural, e se observa no casario mais antigo das aldeias, vilas e cidades.

É possível identificar as casas térreas de um só piso, as paredes grossas e com poucas aberturas, as enormes chaminés, por vezes mais altas do que as casas, por onde saem os fumos das lareiras que aquecem as noites frias e curtem os enchidos caseiros!
A textura das paredes exteriores e interiores que as mulheres vão caiando e os coloridos rodapés que se pintavam em ocre ou azul.
Esta fachada está pintada de azul e tem um presépio bem pequenino.


Outro exemplar do mesmo autor, com um pequeno sobreiro: 




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