"Sou a planta humilde dos quintais pequenos e das lavouras pobres.
Meu grão, perdido por acaso, nasce e cresce na terra descuidada. Ponho folhas e haste e se me ajudares Senhor, mesmo planta de acaso, solitária, dou espigas e devolvo em muitos grãos, o grão perdido inicial, salvo por milagre, que a terra fecundou.(...)
Sou a planta primária da lavoura.
Não me pertence a hierarquia tradicional do trigo. E de mim, não se faz o pão alvo, universal.
Sou apenas o alimento forte e substancial dos que trabalham a terra, onde não vinga o trigo nobre.
Sou o carcarejo alegre das poedeiras à volta dos seus ninhos.
Sou a pobreza vegetal, agradecida a Vós, Senhor, que me fizeste necessária e humilde
Sou o milho."
(Cora Coralina - Oração do milho)
A palavra milho deriva do latim mĭlĭum, oriundo do numeral mil devido à quantidade de grãos em cada espiga.
O milho já era bastante usado no México há mais de 7500 anos atrás. Com as grandes navegações iniciadas no século XV e o consequente intercâmbio Colombiano, a cultura do milho se expandiu para outras partes do mundo e terá chegado à Europa no século XVI!
Existem muitas espécies de milhos, sendo a mais rara, o milho-rei, de cor avermelhada. Nalgumas aldeias faziam-se desfolhadas para reunir as pessoas da aldeia e confraternizar!
Às desfolhadas realizadas pelos lavradores acorriam em geral muitos vizinhos e mesmo gente de outras aldeias, especialmente rapazes que, na maioria dos casos, vinham para aproveitar a merenda e conhecer as raparigas da terra.
Havia uma espécie de recompensa para quem achasse uma espiga vermelha e que tinha de gritar Milho-Rei! Quem o fizesse tinha o direito de dar uma volta junto de todos os presentes com abraços e beijos. Era uma algazarra, seguida sob o olhar atento das mães e o olhar mais ou menos reprovador dos pais, mas também uma forma de muitas vezes os rapazes se aproximarem das raparigas já que, naquele tempo, a vigilância por parte dos pais era sempre muito apertada.
Este presépio usa várias espécies de milho e faz parte da minha coleção!