“É uma cultura popular. é uma inspiração secular. Narra o nascimento de Cristo, fazendo a maquete do lugar."
(Sebastião Santos Silva)
Em São Miguel, as primeiras referências a presépios remontam ao século XVI, por influência da fixação na ilha da Ordem dos Franciscanos. Porém, é no século XVII que aparecem as primeiras “lapinhas”, confecionadas pelas freiras nos conventos, decoradas com minúsculas conchas e flores artificiais de seda, penas, escamas de peixe, cera, papel e algodão, de onde sobressaem figurinhas de barro representando a Sagrada Família.
O século XVIII assistiu a um maior brilho e expansão dos presépios de lapinhas em S. Miguel, sobretudo devido à influência de escultores continentais, como Machado de Castro, sendo possível encontrar, ainda hoje, vários exemplares de “lapinhas” dessa época, em igrejas e casas particulares.
No século XIX os presépios passaram para o domínio da arte popular e, em São Miguel, as “lapinhas” continuam a produzir-se em espaço doméstico e a título particular, coexistindo com os característicos “Altares do Menino Jesus.” De salientar que essas “lapinhas” permaneciam em exposição todo o ano, colocadas em cima da cómoda do quarto de cama.
Atualmente, artesãos locais continuam a dedicar-se, com empenho e preciosa habilidade, à produção de “lapinhas”, em maquinetas ou em redomas, contribuindo para manter viva uma das mais belas demonstrações da religiosidade do povo açoriano.

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