segunda-feira, 21 de novembro de 2022

Pequenos tesouros - Sintra

 "Sou a planta humilde dos quintais pequenos e das lavouras pobres.

Meu grão, perdido por acaso, nasce e cresce na terra descuidada. Ponho folhas e haste e se me ajudares Senhor, mesmo planta de acaso, solitária, dou espigas e devolvo em muitos grãos, o grão perdido inicial, salvo por milagre, que a terra fecundou.(...)

Sou a planta primária da lavoura.

Não me pertence a hierarquia tradicional do trigo. E de mim, não se faz o pão alvo, universal.

Sou apenas o alimento forte e substancial dos que trabalham a terra, onde não vinga o trigo nobre.

Sou o carcarejo alegre das poedeiras à volta dos seus ninhos.

Sou a pobreza vegetal, agradecida a Vós, Senhor, que me fizeste necessária e humilde

Sou o milho."

(Cora Coralina - Oração do milho) 

A palavra milho deriva do latim  mĭlĭum, oriundo do numeral mil devido à quantidade de grãos em cada espiga. 

O milho já era bastante usado no México há mais de 7500 anos atrás. Com as grandes navegações iniciadas no século XV e o consequente intercâmbio Colombiano, a cultura do milho se expandiu para outras partes do mundo e terá chegado à Europa no século XVI!

Existem muitas espécies de milhos, sendo a mais rara, o milho-rei, de cor avermelhada. Nalgumas aldeias faziam-se desfolhadas para reunir as pessoas da aldeia e confraternizar!

Às desfolhadas realizadas pelos lavradores acorriam em geral muitos vizinhos e mesmo gente de outras aldeias, especialmente rapazes que, na maioria dos casos, vinham para aproveitar a merenda e conhecer as raparigas da terra.

Havia uma espécie de recompensa para quem achasse uma espiga vermelha e que tinha de gritar Milho-Rei! Quem o fizesse tinha o direito de dar uma volta junto de todos os presentes com abraços e beijos. Era uma algazarra, seguida sob o olhar atento das mães e o olhar mais ou menos reprovador dos pais, mas também uma forma de muitas vezes os rapazes se aproximarem das raparigas já que, naquele tempo, a vigilância por parte dos pais era sempre muito apertada.

Este presépio usa várias espécies de milho e faz parte da minha coleção! 





Pequenos tesouros - Sintra

 Gente que esquece do mundo e evita conversas desagradáveis colocando uns fones nos ouvidos e vivenciamos o mundo só deles! 

Criados em 1919 por Nathaniel Baldwin, os fones de ouvido surgiram com o intuito de ajudar na comunicação, sendo utilizados em amplificadores de telefones e ou de rádios.

Este pequeno presépio foi criado com fones e faz parte da minha coleção! 




segunda-feira, 14 de novembro de 2022

Nicholaus - Coimbra

 "Aquele que tem um porquê para viver pode suportar quase qualquer como."

(F. Nietzche)




Presépios em madeira - Fátima

 "A árvore quando está a ser cortada, observa o cabo do machado que é de madeira."

(Provérbio árabe)


Estes bonitos presépios vão enfeitar a minha árvore de Natal e fazem parte da minha coleção!

Aqui ficam as fotos!








terça-feira, 1 de novembro de 2022

Ágata Prado - Arlindo Fagundes - Vila Verde

 "Azul e verde e cinza -

Olhando bem, o céu

É de todas as cores!"

(Paulo Franchetti)


Nasceu em Ovar em 3 de Julho de 1945 e chegou a frequentar o curso de Belas Artes que cedo abandonou por o achar demasiado teórico. Em França tirou o curso de cinema. Após o 25 de Abril, regressa a Portugal e realiza 4 filmes. Com a falta de trabalho, decide experimentar trabalhar o barro, na olaria Ágata de uns cunhados seus. Inicia a atividade de ceramista, criando uma galeria de papudos bonecos, de expressão nacional e regional como: o juiz, o polícia de choque, o estudante de Coimbra, o "tuno" do Minho, o escuteiro, o bispo "brasileiro", o arcebispo, o padre, a freira, a sopeira, o árbitro, equipas completas de futebol de vários clubes, o jogador de rugby ou o famoso presépio. 

Para além destas personagens, outras existem, fruto de encomendas exclusivas, como o Fernando Pessoa para a Universidade homónima, os homens de negócios para a Associação Industrial do Minho, os troféus do FITU Bracara Augusta (Festival Internacional de Tunas Universitárias, que se realiza todos os anos em Braga) ou o Rui Lages, para o antigo corredor de automóveis bracarense. Naturalmente, tem participado nas mais diversas feiras de artesanato do país, tendo como base de trabalho a sua oficina de cerâmica, a Ágata, localizada em Prado - Santa Maria, concelho de Vila Verde, distrito de Braga. 

Este presépio foi executado por este hábil homem e faz parte da minha coleção!

  




quinta-feira, 27 de outubro de 2022

A.M.O. Têxteis Lar - Portugal

 "O que eu faço é simples: ponho pão nas mesas e compartilho-o."

(Madre Teresa de Calcutá)


A mesa é onde as famílias se reúnem para partilhar ideias, novidades e ser servidas refeições. Este ano a minha vai ter esta bonita toalha de Natal. É vermelha para nos transmitir alegria e tem o presépio, como não poderia deixar de ser!



quinta-feira, 1 de setembro de 2022

Atelier Carla Amarelo - Alenquer

 “A alegria é a coisa mais séria da vida.”

(Almada Negreiros)

O termo azzellj significa pequena pedra polida, e foi usado para designar o próprio mosaico usado na arte bizantina.

O lugar de destaque despoletou em 1498, aquando de uma visita do monarca D. Manuel I a Espanha. Numa fase em que a nação ainda era ignota em relação à variedade de obras mouriscas e ao seu ornamento com o azulejo, foi com deslumbramento que percecionou tamanha riqueza artística. Foi então que decidiu, antes de orquestrar mecanismos de feitura (para além dos de pintura de faiança, oriundos de Itália), importar para a sua residência, no Palácio Nacional de Sintra, mesclando-os com a arquitetura ousada, com a envolvência de portadas e janelas, e com o reforço do verde no seu redor (a apetência por potenciar os fartos espaços verdes).

A arte da azulejaria havia de criar raízes na Península Ibérica por influência dos árabes que, para as terras conquistadas, trouxeram os desconhecidos mosaicos para ornamentar as paredes dos seus palácios, conferindo-lhes brilho e ostentação através de um jogo geométrico complexo! Este estilo fascinou espanhóis e portugueses que meteram mãos à obra e criaram os primeiros exemplares em Portugal e Espanha! Em 1560, começaram a surgir em Lisboa oficinas de olaria que produziam azulejos segundo a técnica de faiança, importada de Itália. 

A originalidade da utilização do azulejo português e o diálogo que estabelece com as outras artes vai fazer dele caso único no mundo. No Museu Nacional do Azulejo encontram-se painéis que testemunham a evolução e a monumentalidade desta peça de cerâmica decorativa que se adapta às necessidades e acompanha os estilos das diferentes épocas. O Retábulo da Nossa Senhora da Vida, dos finais do século XVI, composto por 1384 azulejos que sobreviveram ao grande terramoto, é um exemplo da importância do azulejo em Portugal. São as classes dirigentes que cultivam primeiro o gosto pelo azulejo, escolhendo a temática mais apropriada à decoração dos edifícios; desde campanhas militares, episódios históricos, a cenas do quotidiano, religiosas, mitológicas e até algumas sátiras. Em finais do século XVII a qualidade da produção e execução é maior, há famílias inteiras envolvidas nesta arte de fazer azulejos e, alguns pintores começam a afirmar-se enquanto artistas, passando a assinar as suas obras, dando assim início ao Ciclo dos Mestres.

A partir do século XIX, o azulejo ganha mais visibilidade, sai dos palácios e das igrejas para as fachadas dos edifícios, numa estreita relação com a arquitetura. A paisagem urbana ilumina-se com a luz refletida nas superfícies vidradas. A produção azulejar é intensa, são criadas novas fábricas em Lisboa, Aveiro, Viúva Lamego, Sacavém, Constância, Roseira — e do Porto e Gaia — Massarelos, Devesas. Mais tarde, já em pleno século XX, o azulejo entra nas estações de caminho de ferro e metro, alguns conjuntos são assinados por artistas consagrados. A tradição fez-se ainda mais popular, apresentando-se como solução decorativa para cozinhas e casas-de-banho, numa prova de resistência, inovação e renovação desta pequena peça de cerâmica.

Este atelier tem inúmeros azulejos, com as mais variadas cores. Fascinaram-me estes em tons de azul para a coleção ficar ainda mais enriquecida!