segunda-feira, 23 de março de 2026

Presépio camélia - Celorico de Basto

 "Faz apenas aquilo que poderes dizer."

 (Alexandre Dumas)

A narrativa da Dama das Camélias segue o romance entre Armand Duval, um jovem estudante de direito de classe média, e Marguerite Gautier, uma bela e cobiçada cortesã parisiense. Marguerite é conhecida por usar camélias brancas (quando disponível para os seus amantes) ou vermelhas (quando indisposta). O amor entre os dois enfrenta o preconceito da sociedade francesa do século XIX e a oposição do pai de Armand.

A camélia (Camellia japônica) é originária das regiões montanhosas do Leste Asiático, nomeadamente da China, Japão e Coreia. Foi introduzida na Europa, no século XVII/XVIII, e o seu nome homenageia o botânico jesuíta Georg Joseph Kamel, batizado por Carl Linnaeus. É valorizada pelo seu florescimento invernal. 

Na China, representa amor eterno e, no Japão, pureza e nobreza.

Este presépio faz uma bonita homenagem à festa das camélias que tive oportunidade de assistir em Celorico de Bastos! São dezenas de camélias de todas as cores e até doces fazem com as pétalas desta flor. No meio de muitas tasquinhas descobri este presépio e claro que o tinha que trazer para a minha coleção! 




Linesart - Ilhavo

 "Deus dá a avelã, mas não a parte."

 (Provérbio popular)

A avelã tem origem na Ásia Menor, especificamente na região do Mar Negro, espalhando-se depois pela Europa e Mediterrâneo. Acredita-se que a aveleira é nativa da região da Anatólia (Turquia). Já era consumida na época romana, em Pompeia e Ercolano. Na China, registros de 2838 a.C. referem-na como um alimento sagrado. Historicamente, os ramos da aveleira eram considerados mágicos e associados à fertilidade, proteção e sabedoria.

Este presépio foi feito com uma casca de avelã e faz parte da minha coleção!





Linesart - Ilhavo

 "Mil vezes sentar-me à vontade em cima de uma abóbora do que me ver apertado em uma almofada de veludo."

( Henry David Thoreau)

A abóbora terá surgido na região do México e dos Andes há mais de 9 000 a.C. Foi introduzida na Europa pelos navegadores portugueses e espanhóis no século XVI. As sementes de abóbora são super-alimentos ricos em magnésio, zinco, proteínas, fibras e antioxidantes, essenciais para a saúde cardiovascular, imunidade e bem-estar geral.

Este presépio foi feito com sementes de abóbora e está muito ternurento!




Linesart - Ilhavo

 "Nunca cobre aquilo que tem que vim do coração.

(Borges Mk)

O cobre é um elemento natural, um dos primeiros metais a serem utilizados pelo homem, datado de 8.000 a.C. na região da Anatólia (atual Turquia). É extraído de minérios como calcopirita e malaquita, com grande concentração no Chile e China, e destaca-se pela sua elevada condutividade térmica e elétrica.

O nome deriva  do latim cuprum, significando "metal de Chipre", pois a ilha de Chipre era o principal local de extração na Roma Antiga.

Este presépio foi feito com peças de cobre e faz parte da minha coleção! 




quarta-feira, 11 de março de 2026

Maria Kabaça - Ponte de Lima

 "Nós temos olhos que se abrem para dentro, esses que usamos para ver os sonhos."

 ( Mia Couto)

A Maria Kabaça é uma marca registada criada em 2010, por Sónia Rodrigues, natural de Fontão, Ponte de Lima. 

As peças surgem do aproveitamento de cabaças que são limpas, secas e pintadas, dando origem às figuras exclusivas de homem (Manel) e a mulher (Maria) que vestem trajes minhotos vianenses autênticos, com bordados, cores e simbolismos da cultura e tradução minhota. Cada peça é única, pois cada cabaça tem formas e texturas diferentes. 

Aqui ficam as fotos destes dois presépios encantadores e que fazem parte da minha coleção! 

Traje do campo minhoto: 


Traje dos noivos minhotos: 






terça-feira, 10 de março de 2026

Presépios em tricotin - Porto

"Tricotar é transformar um fio longo em algo maravilhoso."

O tricotin é frequentemente atribuído à inglesa Elsie Expert ou, segundo outras fontes, popularizado pela "dama do tricôt" Elizabeth Zimmermann (1910-1999). O termo i-cord surgiu de "idiotskorg" (corda de obra), após um erro ao desenvolver um cordão de tricô, que resultou num tubo oco.

Atualmente, o tricotin é muito utilizado com arame para criar nomes e formas decorativas, especialmente em quartos de bebé e até à realização destes presépios. 

Estes presépios foram feitos com esta técnica e estão engraçados!




Presépio sobre carrinho de linhas - Ançã

 "Há momentos e situações em que o olhar comunica mais que as palavras, isso também é intimidade. Creio que sou capaz de dizer muitas cosas sem falar, é o outro que também tem de compreender e de saber interpretar. Quando se estabelece essa relação de intimidade e de amizade, não é necessário falar. (...) Frequentemente é melhor não o fazer porque as palavras estão muito gastas."

 (António Lobo Antunes)

Historiadores creditam os irmãos escoceses Patrick e James Clark (de Paisley, Escócia) como os criadores dos primeiros carrinhos de madeira para segurar as linhas de costura, por volta de 1812-1820. Os Clark desenvolveram um fio de algodão durável e suave, e precisavam de uma forma prática para o vender, substituindo as meadas tradicionais que se emaranhavam facilmente. Com o aumento da popularidade das máquinas de costura (1840s), a procura por linhas eclodiu. Carrinhos de madeira, inicialmente feitos de bétula, carvalho ou bordo, passaram a ser produzidos em massa para atender a esta necessidade.

Este presépio foi feito sobre um carrinho de linhas e faz parte da minha coleção!





Presépio sobre bolo de Ançã

 “A melhor maneira de lidar com os outros, é tomá-los por aquilo que acham que são e deixá-los em paz.”

(António Lobo Antunes)

O Bolo de Ançã é um doce tradicional, tipo folar, originário da vila de Ançã (Cantanhede), com raízes ancestrais transmitidas de geração em geração pelas "boleiras" locais. Feito artesanalmente com farinha, ovos, açúcar e manteiga, destaca-se pela sua textura macia e cozedura em forno a lenha, sendo um ícone gastronómico da Beira Litoral.

Este presépio está sobre um mini bolo de Ançã e faz parte da minha coleção!



Presépio fogaça - S. M. Feira

 “A pior solidão é aquela que sentimos quando estamos acompanhados.”

(António Lobo Antunes)

A fogaça de Santa Maria da Feira, com mais de 500 anos de história, tem origem num voto religioso a São Sebastião, datado de 1505. Para combater uma peste que assolava a região, os habitantes prometeram oferecer este pão doce, que simboliza a torre de menagem do castelo e os seus quatro coruchéus, dando origem à tradicional Festa das Fogaceiras que se celebra anualmente a 20 de Janeiro.  Nesta festa, as meninas trajadas de branco levam as fogaças à cabeça numa procissão em honra de S. Sebastião.

Este presépio foi feito sobre uma mini fogaça e faz parte da minha coleção! 






terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Berta Paiva - S. Miguel - Açores

 "Teus medos tinham coral, praias e arvoredos"

(Fernando Pessoa)

Os primeiros corais não formavam os recifes maciços de hoje; eram animais mais simples que surgiram em mares quentes como o antigo Mar de Tétis.

A capacidade de construir recifes, como os conhecemos, surgiu com os corais duros (Scleractinia) há cerca de 240 milhões de anos, através de uma simbiose crucial com microalgas (zooxantelas) que fornecem alimento em troca de abrigo. Recifes são algumas das estruturas vivas mais bio diversas do planeta, abrigando uma vasta gama de vida marinha.

Os pólipos segregam um exoesqueleto de carbonato de cálcio, que se acumula para formar a base do recife, sobre a qual novas colônias se depositam e crescem, criando ecossistemas complexos.

Há corais em águas profundas e frias, com espécies adaptadas a diferentes profundidades e temperaturas.

A formação de recifes pode evoluir de recifes de franja para barreiras e, finalmente, atóis, à medida que ilhas vulcânicas afundam, um conceito estudado por Charles Darwin.

Este presépio foi feito com escamas de peixe e a base é um coral. 

As escamas de peixe, depois de lavadas, escolhidas e recortadas, com o auxílio de uma pequena tesoura, tomam a forma de flores, que se agrupam em ramos com fio de canutilho e que são adornadas de fios prateados e pequenas pérolas. Este é um produto emblemático do artesanato açoriano e faz parte da minha coleção! 







quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Regador - Coimbra

 “O regador nas mãos de quem sabe cuidar e nutrir, é um instrumento que transforma, dá vida e traz beleza ao mundo natural... Regar é cultivar com amor aquilo que Deus nos deu de presente, a natureza tão bela aos olhos da alma." 

(Neuza Coelho)

Desde tempos antigos, a rega era feita com baldes e vasilhas, mas o regador (com o seu bico fino para uma distribuição mais controlada) tornou-se popular para hortas, canteiros e vasos, tanto no campo como nas cidades.

Invenções como o regador "Haws" de 1886 (Reino Unido) melhoraram o design, tornando-o mais fácil de usar, e esses avanços foram adotados globalmente, incluindo Portugal.

Com o tempo, surgiram regadores de plástico, mais leves e coloridos, sem a mesma história, mas cumprindo a mesma função prática, como mencionado em relatos pessoais.

Este regador faz parte da minha coleção e está muito amoroso! 





Perfume - Coimbra

 “O perfume anuncia a chegada de uma mulher e alegra sua partida."  

(Coco Chanel)

A origem dos frascos de perfume remonta ao Antigo Egito e Mesopotâmia, onde recipientes de pedra, alabastro e cerâmica eram usados para guardar líquidos sagrados, evoluindo com os árabes para pequenos frascos decorados, e chegando à Europa com vidro soprado e lapidação, tornando-se símbolos de arte e status no Renascimento e na perfumaria moderna, especialmente na França, com designers criando peças icônicas.

Os egipcíos criaram os primeiros frascos em pedra e alabastro, esculpidos com desenhos elaborados, usando-os para perfumes sagrados e rituais.

Marcas como Chanel e Guerlain investiram em frascos de cristal e design, transformando-os em objetos de arte e identidade da marca, seguindo tendências artísticas e sociais.

Este pequeno frasco têm um presépio pintado e faz parte da minha coleção!





Isaura Marques - Coimbra

 "Mil vezes sentar-me à vontade em cima de uma abóbora do que comprimir-me entre outras pessoas numa almofada de veludo."  

(Henry David Thoreau)

A abóbora tem origem na América, usada já por civilizações Maias, Astecas e Incas e sendo fundamental na alimentação pré-hispânica. Levada para a Europa pelos navegadores portugueses e espanhóis no século XVI, espalhou-se pelo mundo!

Hoje, é cultivada globalmente, com grande diversidade de variedades e usos culinários e medicinais.

Este presépio está pintado sobre uma semente de abóbora e casca de pinheiro e faz parte da minha coleção! 




quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Barros do Zuca – Beringel, Beja

 "O que podes fazer para promover a paz mundial? Vai para casa e ama a tua família." 

(Madre Teresa de Calcutá)

Os Barros do Zuca estão intimamente ligado a José Mestre, conhecido localmente como "Zuca" ou "Zuca do Barro", um mestre oleiro de renome na região do Alentejo. Ele iniciou a sua atividade no comércio de barro aos 12 anos no Mercado Municipal de Beja. É considerado um dos guardiões da arte da olaria em Beringel, uma vila com forte tradição neste setor.

Este presépio faz parte da minha coleção!