quinta-feira, 25 de novembro de 2021

Isaura Marques - Coimbra

 "As ideias são como as plantas: têm o seu clima e a sua terra. Por mais que se diga, o eucalipto será sempre exótico na paisagem portuguesa."

 (Miguel Torga – Diário)

Os eucaliptos foram descobertos há mais de 50 milhões de anos na Patagónia, atual Argentina. 

É  na Oceânia que têm mais expressão, com quase 800 espécies: 99% estão na Austrália e as restantes na Indonésia, Timor Leste, Papua Nova Guiné e Filipinas.

Conhecidos pelos povos nativos desde há dezenas de milhares de anos, os eucaliptos foram encontrados pelos europeus durante os descobrimentos. Os navegadores portugueses foram os primeiros a descobri-los e usá-los, nas ilhas do estreito de Sunda e em Timor Leste, entre 1512-1515.

No entanto, foram os ingleses que, durante as viagens exploratórias do Capitão James Cook (1770-1777), começaram a fazer colheitas de espécimes e registos científicos precisos, que culminaram na descrição científica do género em 1788. Anos antes, em 1774, já os tinham introduzido na Europa, nos Jardins de Kew, em Londres, como mera curiosidade botânica.

Esta mesma curiosidade por espécies novas e antes desconhecidas levaram os eucaliptos – e tantas outras plantas e árvores – a muitos países em todo o “velho continente”. Apesar de várias tentativas, o clima do centro e norte da Europa não permitiu a desejada expansão do género, que não sobrevive a temperaturas muito baixas, geadas ou neve. Já a sul, onde muitas espécies de eucaliptos se conseguiram aclimatar, vieram colmatar a crescente procura de madeira.


Pensa-se que o eucalipto (possivelmente da espécie E. obliqua) terá sido introduzido pela primeira vez em Portugal por volta de 1829 (em Vila Nova de Gaia), embora não se saiba ao certo quando chegou o Eucalyptus globulus, que é hoje o mais comum no país. Certo é que no início da segunda metade do século XIX, a espécie E. globulus começa a ser plantada como fonte de madeira para combustível e construção. As excelentes características florestais, como os troncos longos e aprumados, o crescimento rápido e a capacidade para rebentar de novo depois do corte, tornaram esta espécie de eucalipto muito atrativa entre as explorações agrícolas da altura.


Estes presépios são pintados em folhas de eucalipto e de carvalho e fazem parte da minha coleção. Estão amorosos, não acham?




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